domingo, 19 de maio de 2013

mantendo uma Twin Cam

Muita gente pergunta como mantenho a Fat rodando.

Em essência, eu uso a moto todos os dias que posso. Uma HD que roda não costuma dar problema.

Se você não pode usar a moto com tanta frequência pequenos cuidados trazem mais sossego: mantenha o tanque cheio e deixe a moto parada com o descanso em uma base de borracha.

E não descuide da manutenção preventiva. Eu sigo o manual, fazendo as revisões em intervalos de 8000 kms. Não faço troca de óleo intermediária por evitar o lubrificante mineral, dou preferência aos semi sintéticos (http://wolfmann-hd.blogspot.com.br/2012/12/troca-de-oleo.html).

Para quem compra a moto zero, sugiro manter as revisões no dealer pelo prazo da garantia. Fiz assim e não me arrependo: no momento em que precisei fazer uso da garantia, foi feito a contento (demorou, mas foi feito). Se pretende comprar a moto e abrir mão da garantia por não ter confiança no serviço do dealer, faça pelo menos a primeira revisão: 1600 kms é um intervalo de uso muito pequeno (se bem que tenho amigos que demoraram um ano para chegar nessa marca) para abrir mão da garantia, assim até chegar na marca de 8000 kms você pode avaliar bem se vale ou não a pena abrir mão da garantia.

Na revisão de 1600 kms, se fizer no dealer, reclame da suspensão dianteira, mesmo sem motivo. Melhor passar por chato do que descobrir que o óleo da suspensão devia ter sido trocado na revisão de entrega e não foi. Do mesmo modo, se sentir dificuldades para a partida da moto, reclame da bateria: os relatos com problemas nos reguladores de voltagem são inúmeros. Também não custa recomendar que se engraxe a caixa de direção, normalmente esquecida.

Ao sair da revisão de 1600 kms, nota-se que a moto está mais solta e já vale a pena pensar em escape e filtro, se for a sua ideia inicial. Depois disso pense em ajustar a injeção e provavelmente vai começar a pensar se vale a pena melhorar a ergonomia.

Nas revisões seguintes peça sempre para regular freio, acelerador e embreagem. Não deixe de pedir para lubrificar as partes móveis do pedal de acionamento da caixa de marchas. Um pouco de graxa faz sempre milagres. E vale também uma limpeza nos bornes da bateria e caixa de fusíveis. Verifique as sujeiras que ficam agarradas no bloco do motor: normalmente são pequenos vazamentos por parafusos devido a junta rasgadas ou sensor de injeção mau preso (meu último vazamento foi por conta do sensor de ponto que ficou frouxo).

Algumas marcas devem ser lembradas: troca de filtro de óleo e lubrificante de motor e primária a cada 8000 kms, troca de lubrificante de caixa de marchas a cada 16000 kms, troca do óleo do garfo a cada 16000 kms, troca de fluído de freio a cada dois anos.

Barulhos novos devem ser identificados e verificados: pode ser um problema grave ou apenas mais uma das "características HD" que aparecem com o uso.

Para quem tem um TC88, atenção aos tensores da corrente de comando: inspecione na marca de 40000 kms e vá fazendo isso até que sejam trocados, ou seja preventivo e troque aos 40000 kms para não ter dor de cabeça. A HDMC recomenda 64000 kms como marca final para a troca desses tensores.

Para quem usa os motores mais novos TC96 e TC103, já existem relatos de falhas nesses tensores na marca de 80000 kms desmanchando a ideia de que os novos sistemas adotados nesses motores haviam solucionado esse problema.

O belt tem fama de durar 100000kms, mas a fábrica recomenda a troca com 80000 kms. Não custa verificar quando chegar nessa marca, porque um belt quebrado no meio do nada é uma bela aporrinhação, sem falar no problema que pode causar na coroa.

Uma coisa que aprendi na prática: filtro de gasolina. O filtro de gasolina fica dentro do tanque e acaba ficando esquecido. A fábrica recomenda a troca com 40000 kms. O meu durou 45000 kms até ficar totalmente entupido e furou duas mangueiras internas causando falhas aos 16000 kms e novamente aos 24000 kms (http://wolfmann-hd.blogspot.com.br/2011/02/injecao-hd-sistema-de-alimentacao.html). Com a qualidade do combustível brasileiro, pretendo ser conservador e fazer a troca do filtro e mangueiras a cada 24000 kms (próxima revisão).

Filtro de ar e velas tem recomendação de troca no manual, mas eu troco conforme desgasta. Meu filtro de ar durou 43000 kms, quando notei que as bordas estavam queimadas e mesmo assim rodou até a revisão de 48000 kms. As velas foram trocadas aos 24000 kms, mas estavam novas. As atuais já passaram essa marca.

Pastilhas de freio devem ser trocadas conforme necessário também, assim como os pneus. A inspeção é visual. Meu uso é majoritariamente urbano e troco pastilhas entre 8000 e 16000 kms. Os pneus dependem  da marca: atualmente com os Michelin espero fazer 20000 kms com o pneu traseiro e 40000 kms com o pneu dianteiro.

As Sportsters tem manutenção menos intervalada, mas não são muito diferentes das Twin Cam.

Cuide bem da sua moto que ela cuidará bem de você.

12 comentários:

Luciano Perrucho disse...

Valeu pelas dicas,abçs

Anônimo disse...

Ótimo post. Lembrando tb da troca do fluido de freio que deve ser trocado independente da quilometragem a cada 2 anos.
Gustavo O.

Luis Fernando disse...

Os seus textos são sempre muito bem escritos e esclarecedores, grato pelas dicas.

Bayer - Old Dog disse...

"Uma HD que roda não costuma dar problema."

Grande verdade...

Sobre a moda, você disse tudo. A onda agora é criticar o HOG sem ir, a concessionária sem ter precisado dela, e o sistema capitalista onde tudo isso está inserido.

Como eu já disse diversas vezes: tem muito mais motoqueiro de verdade no HOG (você é um grande exemplo) do que nos fóruns de internet disfarçados de "bikers".

wolfmann disse...

Acho que a melhor definição para mim é motoqueiro. Sinto falta de andar com a moto, seja para perto ou para longe, hoje mesmo sai com a moto só de birra porque tive um problema na mão esquerda que ainda não está resolvido. Apanhei feio da dor na mão, mas valeu bastante ter rodado esses míseros 16kms para ir e voltar do trabalho.

Tem gente que não vai entender isso, do mesmo modo que não entende o cara que trabalha a semana toda, precisa dar atenção à família e curte colocar o colete HD para ir na autorizada tomar café da manhã e se sentir como outra pessoa.

Esses caras não atrapalham a vida de ninguém, mas parece que são ofensas ao "código Biker".

Ofensa são as dificuldades em arrumar uma peça ou servuço mal feito, mas parece que ser mais importante reclamar do charuto do que do descaso existente no pós-venda HD.

Jå desisti dessas discussões com os "Bikers" de plantão.

Anônimo disse...

Boa tarde,meu nome é Santiago, eu tenho uma Heritage classic ano 2002 carburada , uso ela diariamente , quando você fala dos tensores da corrente de comando está se referindo ao esticador da primária ? ou a corrente e tensores da bomba de óleo ? , pois essa última já ví matérias que falam de desgaste , pois no 88 o esticador da primária a regulagem é manual já nos 96 é automática . fico no aguardo e parabéns pelos comentários , um forte abraço

wolfmann disse...

Os tensores da corrente do comando de válvulas precisam ser trocados a cada 40.000 milhas (64.000 kms) por recomendação da fábrica.

Esses tensores são pequenas "saboneteiras" que esticam a corrente que comando os comandos de válvula.

Ao se desgastarem podem se desmanchar e os pedaços de plástico costumam fazer uma senhora lambança na parte de baixo do motor, podendo inclusive entupir a bomba de óleo.

Apesar da recomendação da fábrica, muitos mecânicos recomendam a troca com 40.000 kms e não 40.000 milhas.

Eu comecei a verificar esses tensores através de inspeção visual aos 40.000 kms e ainda estavam em boas condições. Aos 48.000 kms troquei preventivamente pois ia fazer uma viagem longa e já tinha todas as peças na mão, mas na inspeção feita antes do serviço esses tensores se mantinham em bom estado, podendo seguir rodando até a próxima revisão (56.000 kms).

Uma boa recomendação é verificar a partir dos 40.000 kms rodados.

No blog tem vários post sobre o assunto, sem falar nos vários blogs e fóruns internacionais que comentam sobre esse assunto.

A HDMC já desenvolveu um kit SE que passou a usar regulagem hidráulica ao invés da regulagem mecânica esticando o prazo para a troca (assunto que começou a ser comentado agora pois a promessa era que não haveria mais necessidade de troca desses tensores).

Outra solução é a troca do sistema original por um sistema de engrenagens que promete não dar mais manutenção, mas a montagem precisa ser feita com muito cuidado pois as folgas são bem menores que as folgas do sistema original e qualquer desvio acarreta em problema ainda maior que o despedaçamento do tensor original.

Eu cogitei o up grade para o kit SE, mas desisti na época e com os recentes comentários de que a troca simplesmente adia o problema, sem acabar com essa necessidade de troca, me fazem desistir desse up grade já que terei que manter previsão para essa manutenção.

Tovar disse...

Em minha humilde opinião, seria ingenuidade considerar desnecessária a troca dos tensores em função da regulagem hidráulica, o desgaste sempre haverá, o atrito não é eliminado, apenas atenuado. Concordo com o Wolfmann que o custo do kit SE para TC88 não compensa, ainda mais que o material e desenho dos tensores foi melhorado.
Tentei uma inspeção visual em minha FAT TC88 aos 32K KM, mas só consegui visualizar o tensor da corrente primária do comando, que estava bom, o segundo, justamente o que mais desgasta, não consegui ver, e não queria desmontar a placa do conjunto.

Charles Benigno disse...

amigo, tenho uma dyna fxd com 10 mil km. Faz duas semanas começou a dar problema no motor de arranque quando a moto está "quente". Ela não pega e faz um barulho como se algo estivesse arranhando. Lendo em foruns na internet parece que é um problema crônico nos motores twin cam. E geralmente é necessário trocar o bendix. Você sabe algo a respeito? Já passou por isso? É possível recondicionar o bendix? Obrigado.

wolfmann disse...

Ainda não passei por essa situação ao longo desses sete anos, mas já li muita coisa sobre problemas no arranque.

A maioria condena o arranque ou o "Bendix" como é conhecido por ser o fabricante.

Um amigo, o Luciano que colabora no blog Hecho a Mano, passou por algo parecido com uma Night Train que ele teve.

O detalhe interessante é que antes de mandar trocar o arranque, abriu e descobriu que na realidade a fonte do problema era o eixo do pinhão que aciona a cremalheira do arranque.

Coisa simples, que basta um aperto para voltar a funcionar novamente.

Portanto, antes de investir em um arranque novo, peça para abrir e verificar o pinhão e cremalheira do arranque que pode estar frouxo e causando o problema.

A postagem que fala sobre o problema é encontrada no link: http://www.hechoamanocustom.com/2012/09/motor-de-arranque.html

Abraço.

Barrão Garage disse...

Tem que ver a folga do compensator (pinhao de chique)
As vezes o parafuso que prende o conjunto perde o toque.
Abra a tampa da primária e verifica o funcionamento do bendiX.
A minha fat Tavares com folga nesse parafuso.

Barrão Garage disse...

Tive um problema com bendiX
Mas antes de trocar verifica a folha no compensator
Pode acontecer o parafuso que fixa o compensator perder o toque.