terça-feira, 12 de novembro de 2013

life style e estilo de vida

Por que tanta gente gente gosta de criticar o consumidor de life style?

Em uma postagem da semana passada do Bayer no blog (http://olddogcycles.com/2013/11/ator-de-sons-of-anarchy-provoca-os-motoqueiros-de-final-de-semana.html) aparece um dos atores principais do seriado Sons of Anarchy, Charlie Hunnan, comenta sobre o uso pelo personagem de tênis ao invés de botas observando que aqueles que criticam o uso do tênis ao invés de botas não usam a moto como parte do seu estilo de vida, mas sim para viver um personagem durante o final de semana curtindo o life style vendido pelo marketing.

O iniciante, e vou me concentrar no iniciante, compra a moto pelos mais diversos motivos: desde o sonho de criança que cresceu vendo o pai andando de moto até mudar de vida porque acha que a rotina muito aborrecida.

Hollywood ajuda muito na motivação: desde O Selvagem da Motocicleta, passando por Easy Rider, Wild Hog e as perseguições nos filmes de James Bond, Wolverine e Capitão América (para ficar nos mais recentes), tudo é motivo para justificar a compra da sua moto.

Basta você frequentar as diversas comunidades em redes sociais e fóruns de proprietários vai perceber que as provocações são inúmeras usando rótulos e fazendo comentários ácidos sobre os modelos das HDs: a briga entre "malvadões e coxas" e as provocações entre os proprietários das motos das diversas famílias da HD alimentam debates onde todos fazem "bullying" uns com os outros.

Um detalhe chama a atenção nisso tudo: o iniciante no universo HD, que comprou a moto acreditando no marketing do life style, vive efetivamente o life style como lazer, toma gosto pela coisa e começa a viver o life style diariamente.

Nesse momento o iniciante já se considera um expert em motocicletas, conhece o catálogo de acessórios, faz viagens que vão mais longe que o bate&volta para almoçar. Já vi até alguns grupos se organizando com direito a colete e tudo que acompanha o colete.

Como cada um sabe onde aperta o sapato, não me considero capaz de avaliar se o colega se transformou no que estava pretendendo, mas acho que vale lembrar algumas coisas.

Não interessa muito se você vai usar a moto diariamente ou só para lazer. O perfil de cada um é que vai ditar o uso da moto: se você tem tempo para ir ao Ushuaia e Atacama ou só para bater ponto na padaria é problema seu e mais ninguém.

Não interessa se você vai andar de couro ou tênis branco, ou você veste fantasia para viver seu estilo de vida? Isso é life style, companheiro.

Vale o mesmo para o colete: criar um MC para justificar o uso de um colete não é a razão certa para um MC nascer. Você gosta do colete, acha prático usar colete? Compre um da HD, use o colete do HOG ou simplesmente faça com um amigo meu: compre um liso e mande bordar o que você quiser ou encha de patches. Sempre vai ter alguém para te provocar usando ou não um colete. Use e seja feliz, quando uso o meu colete do HOG, uso porque tenho grandes amigos no Chapter RJ e me identifico com eles.

O que realmente importa é saber se você quer adotar um estilo de vida onde a motocicleta é o centro ou apenas um lazer. Posso te garantir que fica mais fácil quando a gente faz o que gosta e não o que é esperado.

A ideia dessa postagem é lembrar que life style não é estilo de vida. O life style passa pelo merchandise e o estilo de vida passa pela postura individual que cada um tem.

Garanto que ainda vamos ver vários proprietários que gostam de comentar o quanto já gastaram, sobre a última raridade que compraram, que a EVO dele é ótima (mas anda de carro) e assim por diante.

Se você quiser mesmo conhecer sobre a Kuston Kulture, sobre MCs, sobre como usar sua moto ou onde comprar um acessório ou equipamento, não se bitole: converse. O moto boy sempre vai te dar uma dica onde comprar uma capa de chuva barata, o colega que faz mecânica em casa vai te dizer onde ele comprar o que precisa e assim por diante.

Sempre tem alguma coisa para aprender e não se esqueça de espalhar o que você aprende.

Essa é minha ideia sobre estilo de vida.

12 comentários:

Mauro de Lucca disse...

Fantástico post. Vou reproduzir um comentário que fiz hj no blog OldDogCycles, num post até antigo:

Sempre curti moto, desde pequeno, mas meus pais (principalmente minha mãe) me proibiam de andar até de garupa, com medo. Quando tive oportunidade comprei uma scooter, em 2009, apesar do meu excesso de peso. De lá pra cá troquei 3 vezes: primeiro por uma YBR 125, depois por uma Fazer 250 e finalmente peguei uma XL 1200 Custom.
O que me deixa puto é a quantidade de regras que querem impor e o tanto de gente que se acha mais motoqueiro ou motociclista (como alguns babacas preferem) que os outros.
Tem gente que pra andar de moto quer impor mais regra do que você tem no trabalho. Ainda prefiro não participar de nenhum MC por conta disso. Gosto de andar de moto e ponto. Se ando bem ou mal, se ando pouco ou muito, se uso couro ou tênis são coisas que só dizem respeito a mim. Estou cagando (desculpe o termo) para os outros.
Não costumo “enfiar o pé” quando estou num corredor e, por isso, sempre que posso dou passagem pra quem está atrás. Procuro respeitar e aprender com quem anda há mais tempo que eu (não importa a idade). E, se rolar de bater um papo com alguém gente boa vou achar legal. Se for babaca, tchau. Não tenho tempo a perder com babacas.
Acho muito legal as coisas que o Bayer posta aqui no blog e aprendi uma porrada de coisas lendo aqui. Pouco importa se é HD, Honda, Triumph, Indian… o que realmente importa é rodar de moto e curtir a liberdade. Aprendendo e respeitando acima de tudo.
Abraços,
Mauro.

Erico M. Flores disse...

Wolfmann, realmente cada um sabe onde aperta o sapato,e não interessa onde e porque você vai usar a moto. O que interessa é o prazer em andar de moto. Essa briga entre "real bikers" e "coxas" é para que tem tempo pra coisa. Vão andar de moto e esvaziar a cabeça.
abraço;
Erico Flores
Porto Alegre/RS

Marcos Maciel disse...

Compartilho com a mesma linha de pensamento. Acho legal a jaqueta de 2000 reais, mas hoje foje do meu poder aquisitivo. Não criticamos quem usa, e não é justo que critiquem quem não usa. A ideia é ser livre pra escolher e sentir-se bem com a escolha. Há alguns meses ganhei um relógio Harley (xingue-lingue)de um amigo por tê-lo ajudado consertar sua moto. Uso com orgulho, pois tem grande significado. Isso aconteceu e não tinha nem moto ainda.

maverick74

Pedrão disse...

Boa Velhinho... sou seu fã!

Pedro Leal disse...

Wolfmann, desde que me interessei por Harleys tenho lido muito. Inclusive seu blog! Sou piloto de helicóptero e curioso por natureza. Na minha infância, tive umas mobiletes na casa de praia do meu pai, mas a contra gosto de minha mãe. Também pudera, meu avô paterno faleceu em frente ao hotel Nacional, em São Conrado, em um acidente de moto, num sábado de aleluia umas duas semanas antes de eu nascer, em 1975. Viví uma situação parecida com a do Mauro. Sempre fui proibido. Porém crescí e decidí que seria essa a minha trilha. Em 2007 tive uma Yamaha R6, algumas scooters e agora mandei uma Fat Lo. Não tenho o estilo "lifestyle" da Harley, mas I DONT GIVE A FUCKEN SHIT. Quero andar de moto e ponto, e a escolhí porque acho que tem qualidade, beleza e estilo. Falei pra minha esposa que fundarei o Motogrupo de um homem só! Acho muito bacana como os proprietários de HD se comportam, tenho vários amigos que tem e que me incentivaram muito, mas não é por isso que estou aqui... Como disse o Érico, não tenho tempo pra isso!
Um abraço,
Pedro Leal
RJ/RJ

Bayer // Old Dog disse...

Perfeito! Vai pro blog...

Badá disse...

Boa Adelino,

sempre conversamos estas coisas e penso como você.

Grande abraço,

Badá

Alexandre disse...

Wolfmann, boa tarde.

Ótima mensagem! Gostei muito de um pensamento em seu post: não se bitole, converse. Infelizmente, a segmentação de estilos tem acompanhando o crescimento do mercado de motos no Brasil, como se ao comprar a moto você necessariamente comprasse o life style...

Confesso que, como motociclista, me encontrei nas bigtrails, mas vejo a discussão vir à tona nas diferentes rodas que já participei. Conversar é muito bom para todos, mas tem dias que é uma dureza achar um sujeito da tribo "apenas gosto de andar de moto, só isso".

Abraço!

Helio Rodrigues Silva disse...

Grande Wolfmann,

perfeito o artigo. Assino embaixo. Parabéns e um grande abraço,

Hélio - Gato Cansado

Alexander disse...

Panelinhas! Sempre vão existir!

Muitos me perguntam se tenho MC ou faço parte de de HOG e por aí vai. Sou piloto de avião e por isso tenho horários (e dias)irregulares de folga. Muitas vezes ando sozinho durante a semana.

Não me vejo em um MC devido as regras estritas demais para algo que é - pra mim - somente lazer/diversão.

Andar de colete & cia também não me faz o gênero. Adoro minha Heritage e ando como quero. O importante pra mim ainda é isso!

Muito bom comentário!

wolfmann disse...

É bom ver que não falo sozinho.

Dudu disse...

Concordo com suas sábias palavras!
Hoje em dia o meio está superando o fim. O que era pra ser diversão - a estrada - se tornou algo secundário. O simples desejo de pegar uma estrada e o prazer que ela proporciona já não faz parte dos planos de muitos.
Hoje a preocupação maior é com a vestimenta ( olha a roupa do cara!), com a moto (olha aquele alforge! Putz), com o som que o cara houve (está ouvido rap, pop ou sei lá o que...kkkk), com o último lançamento e por ae vai.
E o fim? Cadê a estrada? Sumiu...
O prazer de conversar sobre motos sem querer sem melhor nem pior apenas aprender com o próximo não faz mais parte de muitos encontros. Sempre ficam batendo nessa mesma tecla: Coxa x Malvadão! Fala sério!
Cada vez mais penso em rodar solo e curtir minha moto de jeito que eu quiser!
Só para citar um exemplo que aconteceu dias atrás. Estava eu parado num sinal e chega uma HD toda customizada. Viro pro lado pra falar com o cara e ele vira pra frente. QUando abre o sinal sai igual uma speed e lá se foi mais uma alma do motociclismo.

Abs
Dudu